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Após pressão, bancos recuam em proposta de PLR menor às mães em licença-maternidade



Data: 24/08/2018

Proposta gerou indignação entre as mulheres, que já ganham menos do que os homens

Na oitava negociação da Campanha Nacional 2018, além da tentativa de retirar outros direitos dos bancários e da oferta de apenas 0,5% de aumento real, a Fenaban (federação que representa os altamente lucrativos Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander, Caixa e outros bancos) propôs pagar PLR proporcional aos dias trabalhados para as mulheres em licença-maternidade, e não integral como hoje está previsto na CCT.

A ideia causou assombro no Comando Nacional dos Bancários, que representa os trabalhadores na mesa de negociação, e foi prontamente rejeitada. “Essa proposta é um verdadeiro insulto, ainda mais vindo de um setor que lucra cada vez mais e cujas trabalhadoras mulheres, apesar de serem mais escolarizadas, são obrigadas a viver com salários mais baixos do que os pagos aos homens”, protesta Neiva Ribeiro, secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Obviamente, este item da proposta geral da Fenaban também gerou intensa reação negativa entre as bancárias. “Acho um absurdo. Retirar um direito de mulheres, mães de famílias que muitas vezes são provedoras de suas casas, mulheres que assim como funcionários homens contribuíram para o crescimento e lucros exorbitantes dos bancos. Isso é injusto e preconceituoso”, protestou uma trabalhadora.

“Vergonhosa essa proposta que regride séculos de luta em busca de igualdade. Repúdio e nojo. Só o que sinto”, afirmou outra. Adoecidos ou acidentados também receberiam PLR menor

A proposta de PLR proporcional, ao invés de integral como prevê hoje a CCT, também é para trabalhadoras e trabalhadores afastados por doença ou acidente. "Ou seja, a forma de gestão dos bancos, baseada em cobrança excessiva de metas cada vez maiores e em assédio moral, adoece bancárias e bancários, e quando eles se afastam por conta da saúde, ainda perdem o direito à PLR integral. Chamar isso de injustiça é pouco", acrescenta Neiva Ribeiro.

Por conta da pressão da categoria bancária e do Comando Nacional dos Bancários, a mesa de negociação surtiu efeito. Os bancos recuaram na proposta que pretendia tirar das bancárias em licença-maternidade o direito a pagamento integral da PLR. Também está mantida a cláusula 5ª da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que prevê o pagamento do salário substituto, e a cláusula 10ª, do adicional de insalubridade e periculosidade.

Mulheres estudam mais e ganham menos


Na categoria bancária, as mulheres ocupam 49% do total de postos de trabalho. De acordo com dados do Ministério do Trabalho (Relação Anual de Informações Sociais, Rais), em 2016 elas recebiam, em média, R$ 6.796,47, ou 23% menos do que os homens (R$ 8.772,43).

Essa realidade é ainda mais injusta quando se observa que as mulheres bancárias têm escolaridade maior que a dos bancários. Entre as mulheres, 80% têm nível superior completo, enquanto que entre os homens esse percentual cai para 74%.

Em seus Relatórios Anuais de Sustentabilidade, os bancos apresentam algumas informações que ilustram a desigualdade com a qual as mulheres são tratadas nestas instituições.

No Bradesco, por exemplo, o salário médio das mulheres na gerência representa apenas 85% do salário médio dos homens que trabalham nos mesmos cargos.

Bancos batem recordes de lucro


A proposta de pagar PLR menor às mulheres em licença-maternidade partiu de um setor cada vez mais lucrativo e que desconhece o significado da palavra dificuldade, mesmo em meio a uma das maiores crises econômicas já atravessadas pelo país.

Em 2017, os cinco maiores bancos que atuam no país (Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa), que empregam em torno de 90% da categoria, lucraram juntos R$ 77,4 bilhões, aumento de 33,5% em relação a 2016. Só no primeiro trimestre deste ano, eles já atingiram R$ 20,3 bi em lucro, 18,7% a mais do que no mesmo período de 2017.

E os balanços do semestre já divulgados pelo Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa apontam que o ritmo de crescimento se manterá. De janeiro a junho, a soma dos lucros dos cinco já alcançou R$ 41,9 bilhões, um crescimento de 17,8% em relação ao primeiro semestre de 2017.

Em 2018, desigualdade persiste


De acordo com o Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged), as 6.729 mulheres admitidas nos bancos entre janeiro e junho de 2018 receberam, em média, R$ 3.452. Esse valor corresponde a 71% da remuneração média recebida pelos 7.219 homens contratados no mesmo período. A diferença de remuneração entre homens e mulheres também é verificada nas demissões. As 8.338 mulheres desligadas dos bancos recebiam, em média, R$ 5.571, o que representou 74% da remuneração média dos 8.456 homens desligados dos bancos.

“O recorte dos dados referente ao primeiro semestre de 2018 revela que além de o salário da categoria ser cada vez menor, a desigualdade entre homens e mulheres persiste no setor bancário, que atinge recordes de lucros graças ao esforço dos trabalhadores. Portanto, essa proposta de rebaixar o valor da PLR das mulheres em licença-maternidade é um desrespeito inaceitável e por isso foi rejeitada na mesa. Esperamos que na negociação de quinta-feira, os bancos apresentem proposta decente. Do contrário, estarão empurrando a categoria para a greve”, afirma Neiva Ribeiro.

Imagem: Júlio Cesar Costa

Fonte: SPBancários


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