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Áudios comprovam que Bolsonaro mentiu sobre conversa com ministro exonerado



Data: 20/02/2019

Áudios revelados pelo site da revista Veja, nesta terça-feira (19), comprovam que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seu filho Carlos Bolsonaro mentiram ao dizer que não haviam conversado com o então ministro da Secretaria-Geral da República, Gustavo Bebianno, sobre a crise que envolvia o gestor da pasta, e que acabou culminando com sua demissão.

De acordo com a denúncia feita pela Folha de São Paulo, na edição de 10 de fevereiro, Bebianno esteve  à frente de um esquema de corrupção de candidaturas laranjas, que tinham o objetivo de desviar verbas da campanha eleitoral de 2018.

Antes de ser demitido, Benianno e Bolsonaro conversaram por diversas vezes em mensagens via WhatsApp.

A denúncia desmente o filho de Bolsonaro que alegou em seu twitter ser “mentira absoluta” o agora ex-ministro ter falado com seu pai.

Para reforçar a mentira deslavada, Bolsonaro, em entrevista à Record, reafirmou a versão do filho.

Bebianno refutou a versão no áudio vazado e pareceu incomodado com a postura do filho de Bolsonaro.  “Há várias formas de se falar. Nós trocamos mensagens ontem três vezes ao longo do dia, capitão. Falamos da questão do institucional do Globo. Falamos da questão da viagem. Falamos por escrito, capitão. Qual a relevância disso, capitão? Capitão, as coisas precisam ser analisadas de outra forma. Tira isso do lado pessoal. Ele não pode atacar um ministro dessa forma. Nem a mim nem a ninguém, capitão. Isso está errado”, afirmou Bebianno.

Essa nova reviravolta reforça o desgaste político interno e fragiliza ainda mais o governo. Esses fatores acontecem em vias de o governo apresentar o projeto de Reforma da Previdência ao Congresso. Em um momento crucial, já que a articulação política do governo pode estar em crise.

Esquema

O escandaloso esquema de corrupção envolvendo laranjas na campanha eleitoral do PSL, encabeçada pela principal figura do partido e braço direito de Jair Bolsonaro, Gustavo Bebianno, causou a demissão do político e a primeira crise do governo.

A Folha revelou que o PSL criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018. Segundo a reportagem, a candidata obteve 274 votos e gastou R$ 380 mil em uma gráfica com endereço de fachada, sem máquinas para impressões em massa. O dinheiro foi liberado por Bebianno.

Não apenas Bebianno está envolvido, mas também o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio, o que amplia o escopo de que o esquema pode ser maior e pode atingir outras figuras importantes do partido.

Em vídeo, Bolsonaro suavizou as críticas contra Bebianno e o agradeceu pelo empenho à frente a campanha eleitoral. “Tenho que reconhecer a dedicação e comprometimento do senhor Gustavo Bebianno à frente da coordenação da campanha eleitoral em 2018. Seu trabalho foi importante para o nosso êxito. Agradeço ao senhor Gustavo pelo esforço e empenho quando exerceu a direção nacional do PSL e continuo acreditando na sua seriedade e qualidade do seu trabalho. Reconheço também sua dedicação e esforço durante o período que esteve no governo”, continuou Bolsonaro.

Dias antes, no entanto, para a TV Record, Bolsonaro tinha uma postura mais dura com relação ao envolvimento de Bebianno no escândalo.

Com essas declarações, o governo de Bolsonaro, que ganhou as eleições tendo com uma de suas principais consignas de campanha o repúdio e o combate à corrupção, já aponta suas contradições passando panos quentes na conduta de seu braço direito, além de reforçar seu jogo de mentiras, revelado pela imprensa.

Fonte: CSP-Conlutas


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