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Bolsonaro quer confundir opinião pública sobre universidade, diz reitora da Ufal



Data: 23/04/2019

A reitora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Maria Valéria Costa Correia, disse, na segunda-feira (22), que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tenta confundir a opinião pública quando diz que "poucas universidades têm pesquisa, e, dessas poucas, a grande parte está na iniciativa privada". A fala do presidente foi dita em programa de rádio no dia 8 deste mês.

Em entrevista ao jornalista Rogério Costa, da 98 FM, Valéria Correia informou que 95% de toda a produção científica brasileira é feita por universidades públicas federais e estaduais. Ela se baseia em levantamento realizado pela Clarivate Analytics para a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Em nota, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), contradisse o presidente da República mostrando o estudo da Clarivate. "O presidente estava com a informação incorreta e nós [da Andifes] transmitimos a informação correta por meio de uma nota", informa Valéria Correia. Ela considera que confundir a opinião pública sobre a importância das universidades públicas brasileiras é "meio proposital".

Segundo o documento da Clarivate, a Ufal aparece na 51ª posição entre as universidades brasileiras, com a produção de  376 artigos científicos no ano passado. A Universidade de São Paulo (USP) aparece em primeiro lugar, com a produção de 12.856 artigos científicos. A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) - a mais bem colocada do Nordeste - aparece em 11º lugar do ranking, com a publicação de 1.498 artigos.

A reitora da Ufal aproveitou para criticar o corte no orçamento das universidades, o que considera uma ameaça para a produção científica brasileira. Segundo Valéria Correia, entre 2015 e 2019, o orçamento da Universidade Federal de Alagoas teve uma redução de 383%. "A nossa preocupação é que a gente tem consolidado o processo de expansão da universidade, o que demanda mais recursos", lamentou. "Temos que fazer uma conta que muitas vezes não cabe no orçamento", acrescentou.

Escolha dos reitores

Valéria Correia também criticou a possibilidade de interferência na escolha de reitores das universidades federais. No dia 13 de dezembro de 2018, o Ministério da Educação publicou uma nota técnica que modifica o critério para a nomeação dos reitores das instituições.

Para a reitora da Ufal, as universidades têm autonomia e tradição democrática, em que a escolha de reitor obedece a uma consulta da comunidade acadêmica, com voto paritário de professores, técnicos e alunos. "Essa consulta geralmente é respeitada no Conselho Universitário e envidada para o ministro [da Educação] e para o presidente, que nomeia o reitor escolhido", explicou. "A interferência na escolha nos preocupa", salientou.

Fonte: Gazeta Web



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