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  14/01/2026


Justiça! Crise de oxigênio em Manaus completa 5 anos sem responsabilização



 

 

 

Há 5 anos Manaus viveu um caos sanitário provocado pela falta de oxigênio nos hospitais da em plena pandemia da Covid-19. O problema gerou uma corrida desesperada pela vida. Abandonados pelos governantes, familiares e amigos buscavam adquirir até com os próprios recursos financeiros os cilindros para salvar as vidas dos seus entes, vítimas da negligência do poder público. Muitos(as) não resistiram e até hoje, ninguém foi responsabilizado. Durante o período pandêmico muitos outros(as) também perderam a vida, entre eles(as) docentes, Técnico-administrativos em Educação (TAEs) e estudantes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

 

Na época, o país vivia sob o desgoverno de extrema-direita e a necropolítica de Jair Bolsonaro, que negava a existência da pandemia; estimulava aglomerações, em tempos em que a recomendação era pelo distanciamento; atrasou intencionalmente a oferta de vacinas para a população e chegou a imitar e rir de pacientes com falta de ar, um dos sintomas da Covid-19. Durante todo o desgoverno (2018-2021), a ADUA continuamente denunciou a omissão criminosa de Bolsonaro no cumprimento da garantia do direito constitucional à saúde, tanto por meio da realização de reportagens e lives informativas durante o período de lockdown quanto nas ruas com a participação ativa nos atos “Fora Bolsonaro”, realizados após a flexibilização das normas sanitárias.

 

“Pandemias são eventos cruéis e imprevisíveis que assolaram ferozmente a humanidade ao longo da história. O mundo evoluiu muito, e as vacinas trouxeram a garantia de redução da mortalidade em situações como essa. O que tornou a Covid-19 diferente foi a negligência chocante do Governo Federal e Estadual diante dessa calamidade. O conhecimento científico foi posto à prova – e, pior, ignorado –, transformando a população amazonense em cobaia da mente ordinária, nefasta e desprezível do presidente Jair Bolsonaro e do governador Wilson Lima. Essas figuras foram decisivas para que a pandemia no Amazonas se convertesse em momentos de verdadeiro terror, com o Brasil todo assistindo ao colapso do sistema de saúde: pessoas morrendo asfixiadas pela falta de oxigênio, em cenas de dor inimaginável”, afirmou a presidente da ADUA, professora Ana Lúcia Gomes.

 

Denúncia do colapso

 

Um dia após o ocorrido, o ANDES-SN emitiu uma nota denunciando o colapso na saúde do Estado. “O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, ANDES-SN, manifesta sua solidariedade à população do estado do Amazonas, que atualmente sofre uma crise sanitária sem precedentes, em decorrência da pandemia da COVID-19. É  importante  ressaltar  que todo o sofrimento que o povo amazonense vem vivenciando, sobretudo as famílias de menor poder aquisitivo e as  populações indígenas e ribeirinhas, com um alto  índice de  contaminações, internações e mortes, chegando ao cúmulo do esgotamento do estoque de oxigênio nos hospitais do estado (insumo vital para o tratamento contra a  doença), têm responsáveis diretos: a necropolítica negacionista, desarticulada, incompetente e criminosa do Governo Federal, chefiada pelo atual presidente da República, o genocida Jair Messias Bolsonaro. O pior mandatário da história do Brasil, na pior crise sanitária dos últimos 100 anos”, afirmou a entidade. 

 

 

Em 13 de janeiro de 2021, um dia antes da crise de oxigênio em Manaus, a ADUA havia emitido uma nota pública sobre a situação. “Neste momento em que a pandemia da Covid-19 grassa em todo território nacional, mas em especial no Estado do Amazonas, trazendo sofrimento e morte em série para a população, sobretudo os empobrecidos e povos indígenas, provocada pela insegurança sanitária e agravada pela omissão e falta de compromisso político dos governantes, a ADUA vem a público para responsabilizar o Estado brasileiro, na pessoa de seu governante maior, por negligenciar e sabotar as medidas sanitárias preconizadas pela Organização Mundial da Saúde para conter a tragédia humana e social da pandemia em curso, cujos efeitos mais devastadores se dão entre os socialmente mais vulneráveis: povos indígenas, população negra e classe trabalhadora, de modo especial os trabalhadores desempregados e os que sobrevivem da informalidade”, diz trecho do documento. 

 

O primeiro trimestre de 2021 foi um dos períodos mais avassaladores para a Universidade. Nos três meses deste ano, 61 membros da comunidade acadêmica da Ufam faleceram. No “Memorial – Sementes da Ufam”, produzido pela ADUA em 2021, a Seção Sindical homenageia 102 docentes, TAEs e estudantes da Ufam falecidos(as) entre março de 2020 e março de 2021, período de maior impacto da pandemia, além de familiares de membros da comunidade acadêmica que também partiram. O material homenageia na seção especial “Lutadores e Lutadoras da ADUA” o fundador e ex-presidente da ADUA, professor Osvaldo Coelho, dos ex-diretores, Luiz Fernando de Souza Santos e Arnóbio Alves Bezerra, e da professora aposentada e primeira indígena diplomada do país, Geny Brelaz Castro.

 

“A Ufam foi a Universidade Federal que mais perdeu servidores, sofreu perdas irreparáveis nesse período fatídico. Destaque para o professor Osvaldo Coelho e Luiz Fernando, dois lutadores incansáveis da linha de frente da ADUA, cujas ausências ainda pesam em nossos corações. Que a história nos sirva de lição e que continuemos na luta em defesa da vida, da ciência, dos servidores, das servidoras e do serviço público”, afirmou Ana Lúcia Gomes.

 

 

Educação e ciência salvam!

 

O período evidenciou ainda a importância da ciência e das universidades públicas. Os hospitais universitários, por exemplo, atenderam mais de 85 milhões de pessoas em 2020 nas várias frentes de apoio e enfrentamento à Covid-19. A média foi de 147 mil pessoas beneficiadas por mês, em cada instituição. Os dados são da pesquisa inédita “Conhecimento e cidadania: ações de enfrentamento da covid-19”, coordenada pelo Colégio de Gestores de Comunicação das Universidades Federais (Cogecom), da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). O levantamento teve participação de 48 das 69 instituições (o equivalente a 70% do total) que compõem a rede federal de ensino superior.

 

De maneira geral, a pandemia trouxe à tona a importância das da educação pública e da ciência no enfrentamento da doença. “As universidades, como parte do sistema de ciência e tecnologia, desempenharam um papel crucial na gestão de crises, fornecendo conhecimento científico que foi fundamental para as estratégias de enfrentamento implementadas por governos. A atuação das universidades públicas demonstrou a sua capacidade de resiliência e prontidão, promovendo parcerias interdisciplinares e intensificando o engajamento social. Esses esforços foram essenciais para garantir a proteção da saúde pública durante a pandemia”, destacou o ANDES-SN no número 67 da revista Universidade e Sociedade, que teve como tema “Pandemia da COVID-19: trabalho e saúde docente”.

 

Acesse o “Memorial Sementes da Ufam” aqui.

 

Fonte: ADUA



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