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Cerca de 366 mil foram identificadas vivendo em situação de rua no Brasil em dezembro de 2025. São quase 38 mil pessoas a mais do registrado um ano antes. Os dados são da pesquisa do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgado no último dia 14 de janeiro.
De acordo com o levantamento, em dezembro de 2025, foram registradas 365.822 mil pessoas vivendo nas ruas. O estudo foi realizado com base no Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), que reúne beneficiários de políticas sociais e serve como indicativo das populações em vulnerabilidade.
A Região Sudeste – a mais rica do país – é a que reúne o maior número de sem-teto: mais de 222 mil. Apenas no estado de São Paulo estão 150.958 pessoas em situação de rua, seguido do Rio de Janeiro (33.656) e de Minas Gerais (33.139). O Amapá é o estado com o menor número de pessoas nessa condição, 292.
fortalecimento da luta pelo direito à moradia digna ganha mais importância neste cenário. Liderança do movimento Luta Popular e moradora da Ocupação dos Queixadas, em Cajamar (SP), Vanessa Mendonça, acredita que há diversos fatores para o crescimento do número de pessoas vivendo nas ruas no país.
“O fator econômico, desemprego, ausência de políticas públicas efetivas de moradia e, principalmente, o aumento da especulação imobiliária, que elevam os valores de unidades habitacionais e dos aluguéis bem acima do que o trabalhador pode pagar”, disse. Segundo ela, devido à especulação imobiliária e a projetos de higienização dos grandes centros, as pessoas acabam ocupando imóveis ou terrenos sem função social.
Além da falta de política públicas, os governos também investem na repressão contra as ocupações, o que faz com que cresça o número de pessoas em situação de ruas. “O que mais dificulta a permanência é a ameaça de violência do estado, que só aparece quando é para mandar trator ou polícia pra criminalizar e reprimir homens, mulheres, crianças e idosos”, afirma.
Vanessa também cita como problemática são projetos de lei em tramitação no Congresso e em Prefeituras, que retiram benefícios básicos para quem ocupa e ainda criminalizam as pessoas que vivem em ocupações ou nas ruas.
Fonte: CSP-Conlutas com edição da ADUA
Fotos: Paulo Pinto/Agência Brasil
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