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  27/01/2026


“Queremos uma educação escolar indígena do nosso jeito”, reafirmam indígenas em encontro



 

 

"Queremos uma educação escolar indígena, mas do nosso jeito". Essa foi afirmação feita em vários momentos por participantes do Encontro de Educação Escolar Indígena do Amazonas 2026, que teve início na segunda-feira (26), na Chácara Abraço Verde, em Manaus.  A ADUA apoia e participa do evento que se estende até sexta (300 e tem como objetivo central apresentar as propostas elaboradas por Grupos de Trabalhos (GTs), resultado dos encaminhamentos da edição passada.

 

Com tema central "Tecendo consensos, refazendo caminhos: vozes indígenas na construção da educação com o Estado", o encontro contou na abertura com ritual de defumação realizado por Diakara Dessano, prática ancestral de proteção e purificação. Em seguida, foi a vez da cantora mirim Yara Sateré-Mawé entoar canções de boas-vindas como a “Farinhada”, convocando todos(as) a cantarem e dançarem juntos(as).  

 

 

Em seguida, a mesa de abertura foi composta por representantes de entidades como Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam), Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam), Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas Makira-E’ta, A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entornos (Copime).

 

“Educação é um direito, mas tem que ser do nosso jeito. Lema do movimento estudantil que não abre mão de território, saúde e educação. É com esse espírito, com essa vontade de contribuir, que o movimento estudantil está aqui, contribuir com os demais movimentos, porque com certeza nós estamos sentindo as dores dentro da universidade”, afirmou Arlindo Baré, representante da União Plurinacional dos Estudantes Indígenas.  

 

A representante da Apiam, Mariazinha Baré, destacou o papel da entidade no fortalecimento do movimento indígena. “A gente tem uma grande missão. Para atuar na questão de indígena é preciso ter uma causa, é preciso estar dentro de nós enquanto indígena, enquanto parceiros, porque somente dessa forma conseguimos avançar nas políticas do movimento. É muito importante que nesse momento do encontro, nós possamos de fato descontruir muitas questões relacionadas à educação. Nós temos uma grande responsabilidade enquanto povos indígenas”, afirmou.

 

O encontro conta com a participação de cerca de 200 indígenas de Territórios Etnoeducacionais do Amazonas (TEE): Rio Negro; Alto Solimões; Vale do Javari; Médio Solimões; Juruá; Alto Madeira e Juruá; Baixo Madeira e Médio Madeira; Baixo Amazonas; e Yanomami do Amazonas. Entre os(as) participantes estão estudantes, professores(as), lideranças indígenas, representantes de organizações indígenas e indigenistas, além de representantes de órgãos municipais, estaduais e federais. A ADUA é representada no encontro pela presidente, professora Ana Lúcia Gomes, e pelo 2° vice-presidente, José Alcimar de Oliveira.

 

 

Após a apresentação do grupo Tikuna Wothimaucu, que apresentou canções em sua língua, ocorreu a palestra do professor e antropólogo, Gersem Baniwa. A apresentação descrita por ele como uma aula teve como foco explicar o tema central deste ano do encontro e os principais consensos entre os povos originários sobre a educação escolar indígenas.

 

“Um dos consensos é que a educação escolar indígena é um direito que foi conquistado, com a Constituição Federal de 1988. Não foi um presente dos brancos, dos deputados constituintes, foi arrancado, conquistado pelos povos indígenas. Foram essas lutas em Brasília que garantiram a conquista desse direito (...) os povos indígenas querem educação escolar, mas não é qualquer uma.  Outro consenso é que a educação escolar indígena que nós queremos é a do nosso jeito, do jeito como nós ensinamos, do jeito como nós indígenas tradicionalmente aprendemos”, afirmou Gersem.

 

 

Identidade Étnica

 

Os GTs formados a partir da edição realizado em janeiro de 2025 do Encontro debateram, ao longo do ano passado, propostas sobre os temas: Autodeclaração Indígena no âmbito da Educação; Política de Educação Escolar Indígena do Amazonas; Línguas Indígenas; Ensino Médio; Programa de Licenciaturas Interculturais Indígenas (PROLIND); e Custo Amazonas.

 

Um dos resultados dessas discussões nos GTs foi apresentado no Encontro de 2026 por meio da palestra “Validação da Identidade Étnica no Amazonas - Protocolo Orientador para Autodeclaração e Acesso a Políticas Públicas”, apresentada por Izabel Munduruku e João Vitor Lisboa Batista. A proposta do GT de autodeclaração é um documento em discussão, sujeito à consulta prévia e ampla discussão ampla com os(as) participantes do Encontro.

 

Durante a palestra, foi explicada o atual vácuo normativo sobre esse tema gera três problemas estruturais: subnotificação e incivilidade; burocracia excludente e fraudes e oportunismo. “Os estudantes indígenas são muitas vezes erroneamente registrados como pardos nas escolas por falta de documentos ou medo, e isso acaba impedindo políticas de acolhimento”, explicou Izabel.

 

Outro ponto destacado durante a palestra foi a mudança de paradigma do fenótipo para o pertencimento em relação à validação. “Deixa de se reconhecer a heteroidentificação fenotípica, baseada na aparência física, para se considerar o pertencimento étnico e a trajetória, que é baseado em vínculos, história e reconhecimento coletivo”, explicou João Vitor. Neste aspecto foi destacada um trecho de ofício da Funai que diz: “identidade indígena não se concede, se reconhece. E quem reconhece é o povo”.

 

 

Além das mesas temáticas e apresentações culturais, o encontro conta com venda de artesanatos e oferta de pinturas de grafismo indígenas.  

 

Fonte: ADUA

 

Fotos: Daisy Melo/Ascom ADUA

 

 



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