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Mais de 400 participantes, representantes de 42 municípios e de todos os territórios etnoeducacionais do Amazonas se reuniram no segundo dia do Encontro Estadual de Educação Escolar Indígena, fortalecendo o diálogo entre povos indígenas, organizações de base e instituições na construção de propostas para as línguas indígenas, o ensino médio, as licenciaturas indígenas e a política estadual de educação escolar indígena. O encontro é realizado de 26 a 30 de janeiro, sendo construído com a protagonismo coletivo dos povos indígenas do Amazonas e tem como objetivo consolidar documentos que servirão de base para uma proposta de Educação Escolar Indígena no estado.
A atividade é organizada pelo Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena (Foreeia), com a participação de suas organizações indígenas de base, da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam), do Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam), da Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas (Makira E’ta) e das redes de Educação Escolar Indígena.
A ADUA está presente nas atividades, com a participação de membros da diretoria e de professoras e professores sindicalizados(as), envolvidos tanto na organização quanto nos espaços de debate que apontam caminhos para uma educação construída a partir dos territórios dos povos indígenas.
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Durante o encontro, estão sendo apresentadas as discussões realizadas desde 2025, além das propostas de documentos que as organizações pretendem encaminhar às instituições e ao Estado, dialogando com instâncias municipais, estaduais e federais.
“Estamos tratando de projetos de nações, de povos indígenas. A ideia é conseguir construir os documentos, mas sair daqui também com propostas de conscientização sobre o que queremos para as línguas indígenas, o que pensamos para o ensino médio, para as licenciaturas indígenas e para a educação escolar indígena no estado do Amazonas”, explicou a docente da Ufam e membro da diretoria executiva do Foreeia, Danielle Munduruku.
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Segundo Danielle, a expectativa é que, já a curto prazo, os documentos sejam consolidados. “A ideia é que, na sexta-feira (31), a gente consiga finalizar os documentos e fortalecer esse diálogo que vem sendo tecido há algum tempo. Acreditamos que, no próximo ano, será possível ter dados concretos, como o número de indígenas que ingressaram nas universidades por meio das cotas, os avanços na implementação do ensino médio e da política estadual de Educação Escolar Indígena. Estamos tecendo novos caminhos”.
No espaço em que o debate é construído é perceptível a diversidade de povos presentes no encontro. “Trabalhamos na perspectiva dos territórios etnoeducacionais. São cinco territórios etnoeducacionais e um espaço educacional específico, que são o povo Yanomami. Neste segundo dia, tivemos 416 pessoas credenciadas, representantes de 42 municípios e, pela primeira vez, todas as representações dos territórios etnoeducacionais reunidas em um encontro estadual”, ressaltou Danielle.
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A programação da manhã incluiu a palestra “Línguas indígenas e a importância de sua preservação”. Pela tarde, foi realizada apresentação do documento sobre línguas indígenas e seus encaminhamentos, além da palestra “O Ensino Médio que Queremos: território, autonomia e bem-viver dos povos indígenas”.
À noite, as atividades foram encerradas com a palestra “Tem aldeia na política: educação política para a participação consciente dos povos indígenas no cenário eleitoral de 2026”.
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Grafismo e ação
Colares, pulseiras, roupas, cuias e outros assessórios estão sendo vendidos em bancas montadas nas laterais do grande barracão onde acontece o encontro. O grafismo feito com tinta de jenipapo é umas das artes feitas por jovens como Amadeu, do povo indígena Sateré-Mawé, integra o coletivo de Juventude Sateré-Mawé do estado do Amazonas. Ele participa pela primeira vez do encontro e percebe a importância da iniciativa para a construção da educação escolar e para a juventude.
“É a primeira vez que participo, atuo no movimento artístico por meio do grafismo, e considero fundamental estarmos presentes nesse espaço para incluirmos nossas vozes enquanto juventude. Estamos inseridos em ambientes escolares que, muitas vezes, não valorizam nossa cultura, então ocupar esse espaço é falar por quem vivencia essa realidade. Isso fortalece também o movimento indígena. Iniciei essa trajetória desde criança e, agora, posso mostrar a potência que temos. Considero importante fortalecer não só o movimento, mas também cada um da nova geração que está chegando. Sou formado no ensino médio, atualmente estudo comunicação e compartilho o conhecimento do grafismo com outros jovens que estão vindo por aí”.
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A programação segue até sexta-feira (31) e é aberta à participação. O encontro acontece na Chácara Abraço Verde, localizada na Rua Barão de Indaiá, nº 284, bairro Flores.
Fotos: Sue Anne Cursino/ Ascom ADUA
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