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A discussão sobre os desafios no âmbito das licenciaturas e pedagogias interculturais indígenas foi o foco do terceiro dia do Encontro Estadual de Educação Escolar Indígena, quinta-feira (29). O evento teve início na segunda-feira (26) e encerra na sexta (30), na Chácara Abraço Verde, em Manaus. A ADUA apoia e participa do encontro, sendo representada pela presidente, professora Ana Lúcia Gomes, e o 2º vice-presidente, José Alcimar de Oliveira.
Iniciado com a apresentação de dança da delegação de Tefé, composta, principalmente, por homens indígenas das etnias Kambeba, Kokama e Tikuna, a programação desta quinta teve prosseguimento com a palestra “A importância das licenciaturas e pedagogias interculturais indígenas: o que são e porque são necessárias?”, da professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Célia Bettiol, com mediação da docente Ana Paula Diniz.
“A formação dos professores indígenas é essencial para fomentar a qualidade da educação escolar indígena. E é uma política que tem suas nuances, inclusive desafios que enfrentamos em relação às políticas do Prolind [Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Interculturais Indígenas]”, destacou Ana Paula Diniz. A formação inicial de professores(as) indígenas é garantida pela Resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) 01/2015 que afirma que esta deve ser realizada em cursos específicos de licenciaturas e pedagogias interculturais e quando for o caso em outros cursos de licenciatura, programa especiais de formação pedagógica e aproveitamentos de estudos.

Em sua apresentação, a professora Célia Bettiol apresentou a diferenciação entre a licenciatura e a pedagogia intercultural indígena. A primeira habilita para o exercício da docência nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, de acordo com a área de conhecimento e considerando as diferentes modalidades de ensino, e a segunda habilita para os anos iniciais do Ensino Fundamental, Educação Infantil e Gestão, considerando as diferentes modalidades de ensino.
“Um dos grandes desafios é a atuação dos professores nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Todo o mundo ministra aula de tudo, o que exige um sacrifício grande do professor. Isso acaba se tornando uma dificuldade para a organização. Pensar essas áreas do conhecimento articuladas e específicas não é simples. Digo como formadora que nós estamos ainda estamos aprendendo a fazer”, relatou Célia.
A professora elencou ainda uma série de outros desafios nesta área como a falta de formadores suficientes para a abertura de mais turmas. “Além disso, a UEA e a UFAM apresentam problemas financeiros. A federal trabalha com recursos do Prolind. Já a estadual não acessa esses recursos. Nós trabalhamos com o Parfor [Plano nacional de Formação de Professores da Educação Básica] ou via Seduc”, comentou.

Outras problemáticas apontadas são a dificuldade enfrentadas pelos(as) estudantes como com o deslocamento, que precisa ser custeado por eles(as) mesmos(as); a permanência, uma vez que muitas não tem acesso à bolsa para se manter estudando; o custeio da alimentação, considerando que não há Restaurante Universitário (RU) em todas as localidades, hospedagem e, para as mulheres, o desafio de cuidar dos filhos(as) enquanto se estuda.
Essas questões foram amplamente debatidas pelos(as) participantes do Encontro Estadual de Educação Escolar Indígena, que reúne cerca de 200 indígenas de Territórios Etnoeducacionais do Amazonas (TEE): Rio Negro; Alto Solimões; Vale do Javari; Médio Solimões; Juruá; Alto Madeira e Juruá; Baixo Madeira e Médio Madeira; Baixo Amazonas; e Yanomami do Amazonas.
Com tema central "Tecendo consensos, refazendo caminhos: vozes indígenas na construção da educação com o Estado", a edição deste ano do encontro tem como objetivo central apresentar as propostas elaboradas por Grupos de Trabalhos (GTs) formados na edição 2025 do evento.
A atividade é organizada pelo Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena (Foreeia), com a participação de suas organizações indígenas de base, da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam), do Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam), da Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas (Makira E’ta) e das redes de Educação Escolar Indígena.
Fonte: ADUA
Fotos: Daisy Melo/Ascom ADUA
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