
Pesquisa do Instituto Datafolha revelou que 71% dos brasileiros defendem o fim da jornada de seis dia trabalho e apenas um de descanso, a chamada escala 6x1. Os resultados do levantamento foram divulgados no dia 15 de março. No segundo semestre de 2025, a ADUA integrou a mobilização nacional do Plebiscito Popular por um Brasil mais Justo, que realizou uma consulta à população brasileira sobre esse tema, a isenção de Imposto de Renda (IR) para quem ganha R$ 5 mil e a taxação mais alta para quem recebe acima de R$ 50 mil mensais.
O resultado do estudo mostrou o crescimento do apoio em relação. Na pesquisa anterior, realizada em dezembro de 2024, 64% eram favoráveis e 33% se posicionavam contra. O último levantamento ouviu 2.004 pessoas, com 16 anos de idade ou mais, em 137 municípios brasileiros entre 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança de 95%.
O instituto Datafolha mostrou que sete em cada dez pessoas no país defendem o fim dessa jornada. Para 76% dos entrevistados, a redução da jornada teria impacto “ótimo ou bom” na qualidade de vida dos trabalhadores(as). Quando questionados sobre os efeitos pessoais da mudança, 68% afirmam que o fim da escala 6x1 seria positivo.
O apoio se mantém elevado em diversos recortes sociais. Entre mulheres, 77% defendem o fim da escala, enquanto entre homens o índice é de 64%. Entre católicos, o apoio chega a 69% e, entre evangélicos, a 67%. A divisão geracional revela um apoio majoritário da juventude e maioria favorável nas demais faixas etárias. Entre jovens de 16 a 24 anos, 83% defendem o fim da escala 6x1. O índice é de 75% entre pessoas de 35 a 44 anos e de 55% entre entrevistados com mais de 60 anos.
Outro estudo realizado pela Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados, divulgada no dia 12 de março, também aponta a tendência identificada pelo Datafolha. Entre brasileiros de 16 a 40 anos de idade, o apoio é de 82% ao fim da escala 6x1, sem redução salarial. Na média geral, considerando as faixas etárias, o índice de apoio é de 63% dos brasileiros.
Plebiscito
Mais de 2,1 milhões de votos foram registrados no Plebiscito Popular por um Brasil Mais Justo no ano passado. Foram 103 dias de mobilização, com votação presencial e on-line. A consulta foi organizada pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, em articulação com centrais sindicais e movimentos sociais, mobilizando a classe trabalhadora na luta por justiça fiscal, direitos trabalhistas e qualidade de vida.
O ANDES-SN e a ADUA participaram da mobilização, incentivando a votação. Além das atividades de divulgação para dar visibilidade ao tema nos sites e redes sociais das entidades e presencialmente, o Sindicato Nacional lançou ainda o curta-metragem “Vida além do trabalho”, disponível aqui.
No ano passado, o Projeto de Lei (PL) 1.087/2025, que isenta do Imposto de Renda (IR) quem ganha até R$ 5 mil e reduz a alíquota para quem recebe até R$ 7.350, foi aprovado e começou a valer em 2026. Isso expressa a força do povo organizado.
Propostas paralelas
Propostas já tramitam no Congresso Nacional. Entre elas, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada Erika Hilton e defendida pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que prevê jornada semanal de 36 horas com escala de quatro dias de trabalho e três de descanso (4x3).
Na contramão, propostas paralelas tentam impor mais desregulamentação da jornada e direitos, sendo impulsionadas por setores empresariais, com apoio do Centrão e da ultradireita no Congresso. A lógica é a de “conciliação” com o empresariado, que atinge os interesses dos(as) trabalhadores(as) e da necessidade da mobilização.
Fonte: com informações do Terra e CSP-Conlutas
Foto: Pedro Stropasolas/Brasil de Fato
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