Crédito: Divulgação/ Fórum das Águas

Em defesa da água como direito e não mercadoria, a ADUA participou, no domingo, 22, da Romaria das Águas, uma manifestação político-cultural em defesa da água como elemento indispensável para vida dos povos amazônidas. Com o tema “Água, fonte de vida e bem comum: nossos rios não estão à venda!”, os e as participantes realizaram uma barqueata com concentração no Porto da Ceasa, seguindo até o Encontro das Águas, local de confluência dos rios Negro e Solimões.
A atividade foi organizada pelo Fórum das Águas, em conjunto com diversas organizações dos movimentos popular, social, ambiental e sindical. Esta foi a terceira edição da Romaria das Águas, que celebra o Dia Mundial da Água e reforça a luta dos povos das cidades e da floresta pelo acesso à água e pela preservação dos recursos hídricos da Amazônia.

Crédito: Divulgação/ Fórum das Águas
A programação contou com momentos simbólicos (místicas), com falas de representantes das organizações integrantes do Fórum que se pronunciaram em defesa da água, cobraram políticas públicas ambientais, destacaram a importância da preservação e denunciaram ameaças aos rios da Amazônia. Também houve um momento de espiritualidade. Integrantes do Fórum das Águas e sindicalizada à ADUA, a professora Ivânia Vieira destacou a relação entre espiritualidade e militância na atividade. “Nós, que vivemos em Manaus e na Amazônia, entendemos que a água define nossa existência, somos metade gente e metade água. Ir ao encontro desses grandes rios para agradecer e, ao mesmo tempo, denunciar a ameaça da privatização é um ato político e de amor”, afirmou.

Professora Ivânia Vieira denuncia privatização dos rios amazônicos (Foto: Divulgação/ A Crítica)
O objetivo da mobilização é sensibilizar a sociedade para as questões relacionadas à água e cobrar das instituições e autoridades medidas que garantam o acesso à água potável e a sustentabilidade das fontes hídricas no Amazonas.
Apesar de abrigar a maior reserva de água subterrânea do mundo, a Amazônia enfrenta uma realidade precária no acesso à água e ao saneamento básico, além de sofrer impactos das mudanças climáticas. Segundo o relatório do Instituto Trata Brasil, Ranking do Saneamento 2025, Manaus ocupa a 87ª posição entre as cem cidades avaliadas como piores índices de saneamento.
A manifestação também denuncia projetos que ameaçam os recursos hídricos da Amazônia, alerta para os riscos da privatização dos rios e destaca a força da resistência popular. Um exemplo recente foi a mobilização de povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas que pressionou o governo federal a revogar, em 23 de fevereiro, o Decreto nº 12.600/2025, que incluía trechos dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND).
Os conflitos por água no Amazonas também são preocupantes. De acordo com o relatório Conflitos no Campo Brasil – 2024, do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino (Cedoc/CPT), foram registradas 10 ocorrências de conflitos pela água no estado do Amazonas, atingindo 1.918 famílias. A maioria desses conflitos está relacionada ao uso e à preservação da água, envolvendo situações de descumprimento de normas legais, pesca predatória, destruição e poluição dos recursos hídricos e contaminação por agrotóxicos.
No artigo “Água: vida e matéria espiritual e maternal”, o professor José Alcimar de Oliveira afirma: “Vida acima dos lucros. A água é um bem social comum. Nossos rios não estão à venda. Retire a venda capitalista de seus olhos e liberte sua consciência da jaula ideológica do valor de troca”.
A ADUA é uma das entidades que integram o Fórum das Águas, somando forças nesse coletivo que defende a água como elemento fundamental para a saúde e a preservação da vida.
Também participaram da atividade os docentes sindicalizados à ADUA, 1º vice-presidente da Seção Sindical, Raimundo Nonato Pereira da Silva, e o 1º Tesoureiro da Regional Norte 1 do ANDES-SN, professor Tomzé Costa.
A presidente da entidade sindical professora Ana Lúcia Silva Gomes, destaca a Romaria das Águas como um importante gesto em defesa dos recursos hídricos. “Nós vivemos em um Estado que é comandado pelas águas. Os amazônidas vivem da dinâmica das águas, da cheia, da enchente, da vazante e da seca dos rios. Esse movimento diz respeito a vida dos ribeirinhos e da nossa vida que vivemos na cidade, da vida de outras espécies. Então, água é um tema de relevância para toda a sociedade. Devemos nos preocupar e querer saber o que está acontecendo com nossos recursos aquáticos e de que modo a interferência humana afeta as demais formas de vida. Para nós, da ADUA, a Romaria das Águas é um dos gestos concretos de luta, da busca de unidade na defesa desse bem comum”.

Crédito: Divulgação/ Fórum das Águas
Fontes: ADUA com informações de A Crítica , Fórum das Águas e de Release produzido pela equipe do projeto Maloca Digital, do programa de extensão LigAção – Comunicação, Natureza e Cidadania na Amazônia, vinculado à Faculdade de Informação e Comunicação (FIC/Ufam), em apoio à 3ª Romaria das Águas.
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