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  02/02/2026



Encontro Educação Escolar Indígena encerra com aprovação de documento com proposta de políticas educacionais no Amazonas



 

No último dia do Encontro Estadual de Educação Escolar Indígena do Amazonas de 2026, realizado de 26 a 30 de janeiro na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), lideranças, estudantes, professores(as) e organizações indígenas reafirmaram o compromisso de fortalecer o diálogo com o Estado e consolidar políticas públicas com protagonismo dos povos originários.

 

Com o tema “Tecendo consensos, refazendo caminhos: vozes na construção da educação com o Estado”, o encontro foi marcado por apresentações culturais, mesas de debate, palestras e diálogo em grupos de trabalho. Ao todo, mais de 400 participantes, de 38 municípios e cerca de 60 povos indígenas, estiveram presentes.

 

O último dia contou com a fala de representantes institucionais, a apresentação e aprovação dos documentos finais e falas de compromisso para a efetivação das políticas públicas discutidas ao longo da programação.

 

Os oito Territórios Etnoeducacionais (TEs) do Amazonas estiveram representados por: TE Alto Solimões, John Wytoto; TE Médio Solimões, Mauca Kambeba; TE Alto Madeira e Purus, Cleuto Tenharim; TE Rio Negro, Lúcia Maria Baré; TE Yanomami, Vicente Yanomami; TE Vale do Javari, Ewerton Marubo; TE Baixo e Médio Madeira, Genildo Mura; e TE Baixo Amazonas, Selm Apurinã.

 

“Precisamos de uma educação específica, diferenciada e intercultural, que valorize nossas línguas e saberes tradicionais e que traga resultados concretos”, afirmou Lúcia Maria Baré, representante do Território Etnoeducacional do Rio Negro.

 

Entre os temas centrais debatidos estiveram a autodeclaração indígena na educação, políticas afirmativas, preservação das línguas indígenas, ensino médio indígena, Licenciaturas Interculturais Indígenas (Prolind) e participação política.

 

 

Xytara Apurinã, do Baixo Amazonas, destacou a importância do encontro para a construção coletiva das demandas. “Quando nos reunimos, conhecemos as dificuldades uns dos outros e conseguimos, no consenso, levar nossas demandas para o documento final”, afirmou. Ela também ressaltou que uma das principais reivindicações é a construção de escolas nos territórios, respeitando as especificidades de cada povo.

 

O mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Ufam, Odorico Xamatari Hayata Yanomami, chamou atenção para a necessidade de ampliação do ensino médio nas comunidades e da formação de professores indígenas. “Sem ensino médio completo não é possível acessar cursos de formação docente ou a universidade. Precisamos de cursos e da abertura de vagas para os Yanomami”, reivindicou.

 

 

A representante do movimento estudantil, Izabel Cristine Silva dos Santos, do Meiam, apontou a necessidade de estrutura adequada para estudantes indígenas com filhos. “É muito bonito ter as crianças e os professores indígenas nas universidades, mas a gente não tem um espaço assegurado e com a nossa cara. As crianças precisam estar correndo pelos corredores porque não tem onde ficar. E quando a gente sai das nossas aldeias as crianças vão junto, junto com suas mães e junto com seus pais, e esses estudantes que saem para formação dos professores indígenas eles não têm onde deixar suas crianças. E a gente precisa que a Ufam nos trate respeitando nossas especificidades”, destacou.

 

Durante a palestra “Do território ao papel: caminhos para o financiamento da educação escolar indígena”, o pesquisador Paulo Shinji, do Imaginable Futures, ressaltou a disparidade entre o financiamento da educação não indígena e da educação escolar indígena. Segundo ele, é necessário transformar o modelo de financiamento para fortalecer iniciativas que partem das próprias comunidades. “Essa disparidade faz com entre uma educação muito assimiladora dentro dos territórios e a gente que mobilizar para transformar o financiamento em financiamento para o movimento de educação escolar indígena, financiando assim uma diversidade, uma educação que vem desde a comunidade e fortalecer, pois hoje esse finamento é feito pelas próprias famílias e comunidades”.

 

Entrega do documento final

 

Participaram do encerramento a reitora da Ufam, professora Tanara Lauschner, que destacou a construção do campus de São Gabriel da Cachoeira e a importância da interiorização do ensino; o reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), professor Jaime Cavalcante Alves; a vice-reitora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), professora Katia Couceiro; além de representantes da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério da Educação (MEC).

 

 

O documento final, entregue às autoridades presentes, reúne propostas estratégicas para a educação escolar indígena no contexto estadual, com destaque para o financiamento das políticas públicas, a formação de professores indígenas , em nível de licenciatura e bacharelado, e a concessão de bolsas para estudantes.

 

O doutor em Educação Ytanajé Cardoso, do povo Munduruku, explicou que também foi discutida a proposta de uma lei estadual para dar amparo legal às políticas de educação escolar indígena no Amazonas. Segundo ele, o texto foi debatido em grupos de trabalho e aprovado com ampla participação de jovens, professores(as) e representantes dos territórios etnoeducacionais. A proposta busca fortalecer a política dos Territórios Etnoeducacionais, implementada nacionalmente, garantindo monitoramento e maior controle social das ações educacionais voltadas aos povos indígenas.

 

Participação da ADUA

 

A ADUA esteve presente durante todos os dias do encontro, acompanhando e apoiando o processo coletivo.

 

“Essa questão da educação escolar indígena sempre foi uma preocupação do ANDES-SN e da ADUA. É fundamental ouvir os indígenas sobre como a educação está acontecendo em seus territórios. Temos mais ouvido do que falado, atentos às demandas e refletindo sobre como podemos contribuir diante de uma realidade complexa e desafiadora”, afirmou Ana Lúcia.

 

 

 



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